Um estudo da Faculdade de Medicina da USP mostrou que a própolis verde brasileira reduziu a perda de proteína pela urina em pessoas com doença renal crônica. O resultado é animador, mas tem limites claros. A própolis verde é uma terapia complementar e não substitui o tratamento indicado pelo nefrologista.

Importante: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Quem tem doença renal não deve iniciar suplementos, chás ou extratos naturais por conta própria. Fale antes com o seu médico, porque alguns produtos podem interagir com remédios ou sobrecarregar os rins.

O que o estudo da USP avaliou

O trabalho foi um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, o tipo de estudo considerado mais confiável para testar um tratamento. Pacientes com doença renal crônica, com e sem diabetes, foram divididos em dois grupos: um recebeu extrato de própolis verde brasileira e o outro recebeu placebo. Nem os pacientes nem os pesquisadores sabiam quem estava em cada grupo.

O acompanhamento durou 12 meses. O principal resultado medido foi a proteinúria, ou seja, a quantidade de proteína eliminada pela urina. Ao final, o grupo da própolis teve cerca de 40% menos perda de proteína do que o grupo placebo.

Por que a proteína na urina importa

Rins saudáveis funcionam como um filtro fino: deixam passar água e resíduos, mas seguram a maior parte das proteínas no sangue. Quando o filtro está lesado, a proteína escapa para a urina. Por isso a proteinúria é um dos marcadores mais usados para acompanhar a doença renal.

  • Proteinúria alta está associada a piora mais rápida da função dos rins.
  • Também está associada a maior risco de infarto e AVC.
  • Reduzir a proteinúria é um dos objetivos do tratamento padrão, feito com controle da pressão, da glicose e remédios específicos.

Vale um cuidado na leitura: reduzir a proteinúria é um bom sinal, mas não é o mesmo que provar que a própolis evita diálise ou transplante. Para isso seriam necessários estudos maiores e mais longos. No estudo da USP, a taxa de filtração dos rins não mostrou diferença importante entre os grupos no período avaliado.

Como a própolis verde poderia agir

A própolis verde é produzida por abelhas a partir da resina do alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia), planta típica do Brasil. Ela é rica em compostos como a artepilina C, estudados por sua ação anti-inflamatória e antioxidante.

A hipótese dos pesquisadores é que a própolis reduza a inflamação e o estresse oxidativo que lesam os pequenos vasos e filtros dos rins. Essa explicação é plausível e tem apoio em estudos com animais, mas o mecanismo exato em humanos ainda não está totalmente esclarecido.

Os limites desse resultado

Um estudo bem feito é um passo importante, mas não encerra a questão. Alguns pontos pedem cautela:

  • Amostra pequena: participaram algumas dezenas de pacientes. Resultados assim precisam ser confirmados em grupos maiores.
  • Produto específico: foi usado um extrato padronizado de própolis verde, em dose definida. Produtos vendidos no mercado variam muito em concentração e qualidade.
  • Uso complementar: os pacientes continuaram o tratamento médico habitual. A própolis foi somada a ele, não usada no lugar dele.
  • Efeitos e alergias: pessoas alérgicas a produtos de abelha podem ter reações. Alguns extratos contêm álcool, o que também deve ser considerado.

A doença renal costuma ser silenciosa

A doença renal crônica pode avançar por anos sem sintomas. Inchaço, cansaço, urina espumosa e alterações na pressão costumam aparecer quando a perda de função já é significativa. Por isso, o diagnóstico depende de exames simples:

  • Creatinina no sangue, para estimar a taxa de filtração dos rins.
  • Exame de urina e relação albumina/creatinina, para detectar perda de proteína.
  • Controle regular da pressão arterial e da glicose.

Pessoas com diabetes, hipertensão, obesidade, histórico familiar de doença renal ou mais de 60 anos devem fazer esses exames com regularidade, conforme orientação médica.

O estudo da USP sugere que a própolis verde pode reduzir a perda de proteína pela urina em pacientes com doença renal crônica, com cerca de 40% menos proteinúria em 12 meses. É um resultado promissor, mas vem de um estudo pequeno e não substitui o tratamento. O que mais protege os rins continua sendo diagnóstico precoce, controle da pressão e da glicose e acompanhamento com o nefrologista.