Ficar doente com frequência, demorar para se recuperar de um resfriado ou ter infecções que voltam sempre são sinais que levam muita gente a perguntar se está com a imunidade baixa. Neste artigo, com base nos vídeos da infectologista Dra. Mariela Cometki no canal Médicos Explicam, reunimos o que costuma enfraquecer a defesa do corpo e o que de fato pode ajudar. Também separamos o que tem boa evidência científica e o que ainda é incerto.
Por que o idoso adoece com mais frequência
Com o envelhecimento, o sistema imune passa por um processo chamado imunossenescência: as células de defesa respondem de forma mais lenta e as vacinas tendem a gerar proteção menor. Isso é esperado, mas alguns hábitos agravam bastante o quadro. Entre os fatores mais comuns estão:
- Comer pouco: a perda de apetite é frequente no idoso e leva à falta de proteína, vitaminas e minerais. A desnutrição é uma das causas mais importantes de imunidade baixa nessa fase da vida.
- Beber pouca água: a sensação de sede diminui com a idade, e a desidratação piora o funcionamento geral do organismo.
- Pouco movimento e pouco sol: o sedentarismo reduz massa muscular, e a pouca exposição solar favorece a deficiência de vitamina D.
Por isso, não é normal aceitar que o idoso coma pouco e adoeça toda hora. Esse padrão merece investigação, porque pode envolver doenças crônicas descompensadas, uso de medicamentos, problemas na boca ou nos dentes e até depressão. Manter as vacinas em dia (gripe, pneumonia, covid e herpes-zóster, conforme indicação) é uma das medidas mais eficazes para essa faixa etária.
Banho em excesso enfraquece a imunidade?
A pele é a primeira barreira de defesa do corpo. Ela é protegida por uma camada de gordura natural e por uma comunidade de micro-organismos que ajuda a impedir a entrada de agentes nocivos. Banhos muito frequentes, longos, muito quentes ou com sabonete em excesso podem remover essa proteção, deixar a pele ressecada e com pequenas fissuras.
Na prática, isso não significa que tomar banho faça mal. Significa que a pele agredida fica mais vulnerável a irritações e infecções locais, especialmente em idosos e em quem tem dermatite. Algumas orientações úteis:
- Preferir água morna em vez de muito quente.
- Usar sabonete principalmente nas áreas de dobras, axilas e região íntima.
- Hidratar a pele logo após o banho, sobretudo no inverno.
Alho, casca de cebola e gengibre no inverno
No frio, os vírus respiratórios circulam mais e muita gente recorre a alimentos tradicionais da cozinha. Alho, cebola e gengibre têm compostos com ação antioxidante e anti-inflamatória estudada em laboratório, como a alicina do alho, a quercetina presente na casca da cebola e o gingerol do gengibre.
É preciso, porém, ter cautela: os estudos em pessoas ainda são limitados e não mostram que esses alimentos previnem ou curam gripe e resfriado. Eles podem fazer parte de uma alimentação variada e saborosa, mas não substituem vacina, sono adequado e cuidados médicos. Quem usa anticoagulantes deve conversar com o médico antes de consumir grandes quantidades de alho ou gengibre, pois podem aumentar o risco de sangramento.
Açaí: a fruta que mais ajuda a imunidade?
O açaí é rico em antocianinas, pigmentos com potente ação antioxidante, além de fibras e gorduras boas. Por isso, aparece com frequência como uma das frutas com maior potencial anti-inflamatório. O ponto de atenção está na forma de consumo: o açaí vendido em tigela costuma vir com xarope de guaraná, açúcar, leite condensado e granola adoçada, o que anula boa parte do benefício.
Vale lembrar que nenhuma fruta isolada resolve a imunidade. O que tem respaldo científico é uma alimentação com variedade de frutas, verduras, legumes e proteína de qualidade todos os dias.
Suplementos para imunidade: vitamina D, NAC e glutationa
Os suplementos citados com frequência para fortalecer a defesa do corpo têm níveis de evidência diferentes:
- Vitamina D: participa da regulação do sistema imune. Corrigir a deficiência, quando confirmada por exame, tem benefício. Doses altas sem necessidade podem causar intoxicação.
- NAC (N-acetilcisteína): é precursora da glutationa e já é usada como medicamento para soltar secreções. Há estudos sugerindo possível benefício em infecções respiratórias, mas os resultados ainda não são conclusivos.
- Glutationa: é um antioxidante produzido pelo próprio corpo. A eficácia da suplementação oral ainda é discutida, porque a absorção é incerta.
Em todos os casos, a indicação deve ser individual, feita por um médico, considerando exames, doenças e medicamentos em uso.
Imunidade não se constrói com um único alimento ou cápsula. Comer bem, beber água, dormir, se movimentar, cuidar da pele, manter as vacinas em dia e investigar infecções frequentes com um médico são as bases que de fato protegem a defesa do corpo, em especial no idoso.


