Prever o risco de um infarto antes que ele aconteça deixou de ser só teoria. Hoje existe um exame de imagem simples, rápido e sem contraste que ajuda o cardiologista a estimar quanto de placa de gordura calcificada já se acumulou nas artérias do coração: o escore de cálcio coronariano. Ele não diz se você vai infartar amanhã, mas mostra, de forma objetiva, se as suas artérias já apresentam sinais de doença e o quanto isso pesa no seu risco.

Importante: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um médico. A indicação de qualquer exame e a interpretação dos resultados devem ser feitas por um profissional que conhece o seu histórico.

O que é o escore de cálcio coronariano

O escore de cálcio é feito por uma tomografia computadorizada do coração, sem uso de contraste e em poucos minutos. A máquina identifica e quantifica o cálcio depositado nas paredes das artérias coronárias. Esse cálcio faz parte das placas de aterosclerose, o processo em que gordura e outras substâncias se acumulam e endurecem as artérias ao longo dos anos.

O resultado sai como um número, o índice de Agatston. Quanto maior o valor, maior a quantidade de placa calcificada e, em geral, maior o risco de eventos como o infarto.

  • Zero: ausência de cálcio detectável, geralmente associado a risco baixo.
  • 1 a 100: quantidade leve de placa.
  • 101 a 400: quantidade moderada.
  • Acima de 400: carga elevada de placa, risco considerado alto.

Esses cortes são referências gerais. O que o número significa para você depende da sua idade, sexo e demais fatores de risco.

Para que serve o exame

O principal papel do escore de cálcio é ajudar a decidir a conduta em pessoas de risco intermediário, aquelas que não são claramente saudáveis nem claramente de alto risco. Nesses casos, o número pode inclinar a decisão sobre iniciar ou não um medicamento para colesterol, por exemplo, ou reforçar mudanças no estilo de vida.

Um escore zero costuma ser um dado tranquilizador e pode adiar o uso de certos remédios. Já um escore elevado indica que a doença nas artérias já começou, mesmo sem sintomas, e reforça a necessidade de controle rigoroso dos fatores de risco.

Quem pode se beneficiar

O exame costuma ser considerado para adultos, muitas vezes a partir dos 40 aos 45 anos, que tenham fatores de risco cardiovascular e dúvida sobre a intensidade do tratamento. Entre os fatores que pesam nessa avaliação estão:

  • Pressão alta;
  • Colesterol elevado;
  • Diabetes;
  • Histórico familiar de doença do coração precoce;
  • Tabagismo;
  • Sobrepeso e sedentarismo.

Por outro lado, quem já teve infarto ou já tem diagnóstico de doença coronariana geralmente não precisa do escore, porque a presença da doença já está estabelecida. A indicação individual é sempre do cardiologista.

Outros exames que avaliam o coração

O escore de cálcio é um dos exames usados para estimar risco, mas não é o único. Dependendo do quadro, o médico pode lançar mão de testes que avaliam o coração em esforço, como o teste ergométrico, ou de imagens como o ecocardiograma e a angiotomografia de coronárias, que mostra o interior das artérias. Exames de sangue, pressão e a própria conversa clínica também entram na conta. Nenhum exame isolado substitui essa avaliação em conjunto.

O que fazer com o resultado

Seja qual for o número, o exame é uma ferramenta para orientar decisões, não um veredito. Um escore alto não significa infarto certo, e um escore baixo não libera ninguém de cuidar da saúde. O que reduz risco de verdade continua sendo o básico bem feito: alimentação equilibrada, atividade física regular, não fumar, controlar pressão, glicose e colesterol e manter acompanhamento médico.

O escore de cálcio ajuda a transformar risco em um número concreto e a personalizar a prevenção, mas quem decide se ele é indicado, e o que fazer com o resultado, é o médico que acompanha o seu caso.