Em média, homens infartam cerca de 10 anos antes das mulheres. A diferença não é "acaso" nem só genética: combina fatores hormonais, comportamentais e culturais. Boa parte é modificável quando se age cedo.

Importante: este artigo tem finalidade educativa e reflete o que foi explicado no vídeo. Não substitui consulta com médico ou profissional de saúde. Condições individuais exigem avaliação presencial ou online.

O fator hormonal

Antes da menopausa, o estrogênio tem efeito protetor sobre as artérias femininas: ajuda a manter o colesterol em padrões mais favoráveis, melhora a função do endotélio (camada interna do vaso) e reduz inflamação. Após a menopausa, esse "escudo" se perde, e o risco cardiovascular feminino sobe e se aproxima do masculino com o passar dos anos.

Fatores de risco em maior prevalência nos homens

  • Tabagismo: historicamente maior em homens, embora a diferença esteja diminuindo.
  • Hipertensão precoce: homens jovens têm pressão alta com mais frequência do que mulheres jovens.
  • Diabetes tipo 2 não controlada: mais comum em homens na faixa dos 40-60 anos.
  • Obesidade central (gordura abdominal): associada a maior risco cardiovascular e mais prevalente no sexo masculino.
  • Estresse mal gerenciado e padrões de sono ruins.

Comportamento e cultura

Pesquisas mostram que homens, em média, procuram consulta médica com menos frequência. Isso faz com que pressão alta, colesterol elevado e diabetes sejam descobertos mais tarde, muitas vezes só quando aparece o primeiro evento cardiovascular. "Não estou sentindo nada" costuma ser o motivo mais comum para adiar o check-up.

O que cabe fazer

  • Check-up cardiovascular a partir dos 40 (ou antes, se há histórico familiar): pressão, colesterol, glicemia, ECG, eventualmente teste ergométrico ou ecocardiograma.
  • Parar de fumar. Único fator que muda o risco em poucos meses depois de cessado.
  • Atividade física regular: aeróbico + força.
  • Tratar o sono: ronco com pausas, sono fragmentado e cansaço diurno podem ser apneia, fator de risco cardíaco importante.
  • Reduzir consumo de álcool e atenção à pressão arterial.
  • Cuidar da saúde mental: depressão e estresse crônico são fatores de risco reais para infarto.

Sinais que ninguém deveria ignorar

  • Dor no peito ao esforço que melhora ao parar.
  • Falta de ar fora do habitual.
  • Dor no peito acompanhada de suor frio, náusea ou dor irradiando para braço esquerdo, mandíbula ou costas.
  • Mal-estar inexplicável, especialmente em pessoas com fatores de risco.

Diante desses sinais, o caminho é pronto-socorro, não consulta agendada.

Infartar uma década antes não é destino genético, é estatística que reflete hábito. Boa parte dela responde quando se trata cedo.