Quem já teve pedra nos rins sabe a dor que isso provoca, e muita gente não imagina que alguns suplementos populares podem favorecer novos cálculos. Segundo o urologista Dr. Marcelo Goulart, quatro suplementos comuns merecem atenção em pessoas com tendência a formar pedras: vitamina C, vitamina D, cálcio em cápsula e a curcumã. O ponto importante é que o problema não está no suplemento em si, mas no uso sem indicação e na predisposição individual de cada pessoa.

Importante: este conteúdo é educativo e não substitui consulta médica. Suplementos devem ser usados com orientação de um profissional de saúde, que avalia seu histórico, exames e fatores de risco antes de qualquer recomendação.

Por que alguns suplementos favorecem cálculos renais

A maioria das pedras nos rins é formada por oxalato de cálcio. Quando há excesso de cálcio, oxalato ou ácido úrico na urina, esses compostos podem se cristalizar e se agrupar em cálculos. Suplementos que aumentam a concentração dessas substâncias, ou que reduzem fatores protetores como o citrato urinário, podem inclinar a balança em quem já tem predisposição.

Vale reforçar: a tendência a formar pedras envolve genética, baixa ingestão de água, dieta e condições de saúde. Por isso, o mesmo suplemento pode ser inofensivo para uma pessoa e problemático para outra.

Vitamina C em altas doses

A vitamina C (ácido ascórbico) é metabolizada parcialmente em oxalato. Em doses elevadas, principalmente acima de 1.000 mg por dia, pode elevar a excreção de oxalato na urina e aumentar o risco de cálculos de oxalato de cálcio em pessoas suscetíveis. A vitamina C obtida de frutas e verduras, dentro de uma alimentação normal, não costuma ser o problema, e sim a megadose em cápsula.

Vitamina D e cálcio em cápsula

A vitamina D aumenta a absorção intestinal de cálcio. Quando suplementada em excesso, pode elevar o cálcio circulante e, consequentemente, o cálcio eliminado pela urina (hipercalciúria), um fator de risco para pedras.

O cálcio em cápsula merece um cuidado parecido. Curiosamente, o cálcio vindo dos alimentos tende a proteger, porque se liga ao oxalato no intestino e reduz sua absorção. Já o suplemento de cálcio, sobretudo se tomado longe das refeições, pode ter efeito diferente. Pontos práticos:

  • Prefira atingir as necessidades de cálcio pela alimentação sempre que possível.
  • Se houver indicação de suplemento, tomá-lo junto às refeições pode reduzir o risco.
  • Doses de vitamina D devem ser guiadas por exame de sangue, não por conta própria.

Curcumã: rica em oxalato

O quarto item é a curcumã (a raiz/pó), que está em alta como suplemento. Ela é rica em oxalato absorvível, o que pode contribuir para a formação de cálculos em quem tem tendência. Uma alternativa citada é a curcumina, o composto ativo isolado, geralmente com menor carga de oxalato. Ainda assim, a decisão de usar curcumina ou qualquer extrato deve passar por avaliação profissional.

Como reduzir o risco no dia a dia

Algumas medidas têm boa base de evidência na prevenção de pedras nos rins:

  • Beber água ao longo do dia, buscando urina clara (a meta é individual e deve ser orientada).
  • Reduzir sal e excesso de proteína animal, que aumentam o cálcio urinário.
  • Manter cálcio adequado pela alimentação, sem cortar laticínios por conta própria.
  • Revisar com o médico todos os suplementos que você usa.
O risco de pedra nos rins depende muito mais do conjunto (predisposição, hidratação, dieta e dose) do que de um único suplemento. O caminho seguro é não suplementar por conta própria e levar sua lista de suplementos ao médico ou nutricionista.