Gripes que emendam uma na outra, cansaço que não passa e infecções que sempre voltam podem ser sinais de que o sistema imunológico não está funcionando bem. Neste artigo, com base nas orientações da infectologista Dra. Mariela Cometki, do canal Médicos Explicam, você entende quais sinais merecem atenção, o que de fato fortalece as defesas do corpo e quais promessas não têm respaldo científico.

Importante: este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Infecções frequentes, febre persistente ou perda de peso sem explicação devem ser avaliadas por um profissional de saúde, que pode investigar a causa e indicar o tratamento adequado.

O que significa ter imunidade baixa

O sistema imunológico é o conjunto de células, órgãos e substâncias que protegem o corpo contra vírus, bactérias, fungos e outros agentes. Quando se fala em "imunidade baixa", normalmente se trata de uma defesa menos eficiente, que pode ter causas temporárias ou permanentes.

Na maioria das pessoas, a queda de imunidade está ligada a fatores do dia a dia, como noites mal dormidas, estresse prolongado, alimentação pobre em nutrientes, sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool. Em uma parcela menor, existem condições médicas por trás, como diabetes descompensado, doenças autoimunes, HIV, câncer, uso de corticoides ou imunossupressores e as imunodeficiências primárias, que são de origem genética.

Sinais que merecem atenção

Ter alguns resfriados por ano é esperado: adultos costumam ter de dois a quatro episódios anuais, e crianças pequenas, ainda mais. O alerta surge quando o padrão foge do habitual. Fique atento a:

  • Infecções repetidas: gripes, sinusites, otites ou infecções urinárias que voltam várias vezes ao longo do ano.
  • Infecções que demoram a melhorar: quadros que se arrastam ou precisam de vários ciclos de antibiótico.
  • Cansaço constante: fadiga que não melhora com descanso, especialmente se acompanhada de outros sintomas.
  • Feridas que cicatrizam devagar e infecções de pele frequentes.
  • Aftas, sapinho (candidíase oral) ou herpes recorrente.
  • Pneumonias repetidas, sobretudo mais de uma no mesmo ano.
  • Perda de peso sem motivo, febre prolongada ou suor noturno, que exigem avaliação rápida.

Esses sinais não confirmam, sozinhos, um problema imunológico. Anemia, alterações da tireoide, depressão e distúrbios do sono também causam cansaço, por exemplo. Por isso a investigação médica é essencial.

O que realmente fortalece a imunidade

A mensagem central da infectologista é simples: hábitos consistentes fazem mais pela imunidade do que qualquer fórmula milagrosa. Os pilares com melhor evidência são:

  • Sono de qualidade: dormir de 7 a 9 horas por noite ajuda na produção e regulação das células de defesa. Estudos mostram que quem dorme menos de 6 horas tem maior risco de pegar resfriado quando exposto ao vírus.
  • Alimentação variada: frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas fornecem vitaminas e minerais como vitamina A, C, D, zinco e ferro, que participam da resposta imune.
  • Vacinas em dia: a vacinação treina o sistema imunológico de forma segura contra doenças como gripe, covid-19, pneumonia pneumocócica, hepatite B e herpes-zóster, conforme a idade e o perfil de cada pessoa.
  • Atividade física regular: exercícios moderados estão associados a menos infecções respiratórias.
  • Controle do estresse: o estresse crônico eleva o cortisol, hormônio que pode reduzir a eficiência das defesas.
  • Evitar cigarro e excesso de álcool, que prejudicam diretamente as defesas do corpo, em especial as das vias respiratórias.
  • Controlar doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, com acompanhamento regular.

Mitos sobre imunidade

O mercado de produtos que prometem "turbinar" a imunidade é grande, mas boa parte dessas promessas não se sustenta:

  • "Vitamina C em altas doses evita gripe": para a população em geral, a suplementação não previne resfriados. Em alguns estudos, reduziu levemente a duração dos sintomas, um efeito modesto.
  • "Suplemento serve para todo mundo": vitaminas e minerais só trazem benefício claro quando há deficiência comprovada. Em excesso, alguns podem causar efeitos adversos, como a vitamina D e o zinco.
  • "Existe alimento ou chá que aumenta a imunidade de forma imediata": nenhum alimento isolado tem esse efeito. O que conta é o padrão alimentar ao longo do tempo.
  • "Imunidade alta é sempre melhor": um sistema imune hiperativo também é um problema, como acontece em alergias e doenças autoimunes. O objetivo é equilíbrio.

Quando procurar um médico

Procure avaliação se as infecções estiverem mais frequentes do que o seu habitual, se precisar de antibióticos várias vezes no ano, se houver pneumonias repetidas ou se o cansaço vier acompanhado de febre, emagrecimento ou gânglios aumentados. O clínico geral pode solicitar exames iniciais, como hemograma, glicemia e sorologias, e encaminhar ao infectologista ou imunologista quando necessário.

Imunidade não se fortalece com fórmulas milagrosas, e sim com sono adequado, alimentação equilibrada, vacinas em dia e hábitos saudáveis. Infecções que se repetem além do normal são um sinal para investigar a causa com um médico.