Infarto e AVC estão entre as principais causas de morte no Brasil, inclusive entre as mulheres, e boa parte desses eventos pode ser evitada com controle de fatores de risco conhecidos. Pressão alta, colesterol elevado, diabetes, tabagismo e sedentarismo respondem pela maior parte dos casos. Nas mulheres, algumas condições específicas, como a menopausa e complicações na gravidez, também entram na conta e costumam ser pouco lembradas.

Importante: este conteúdo é educativo e não substitui consulta médica. A avaliação do risco cardiovascular é individual e deve ser feita por um profissional de saúde, que considera seu histórico, exames e medicamentos em uso.

Por que infarto e AVC têm tanto em comum

O infarto acontece quando o fluxo de sangue para uma parte do coração é interrompido. O AVC isquêmico, o tipo mais comum, segue a mesma lógica no cérebro. Em ambos, o processo de fundo costuma ser a aterosclerose: o acúmulo de placas de gordura e inflamação na parede das artérias ao longo de anos.

Por isso, as medidas que protegem o coração também protegem o cérebro. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a maior parte das doenças cardiovasculares prematuras pode ser prevenida com mudanças de estilo de vida e tratamento adequado dos fatores de risco.

Os fatores de risco que você pode controlar

Alguns fatores, como idade e histórico familiar, não podem ser mudados. Outros dependem de acompanhamento e hábitos:

  • Pressão arterial: a hipertensão é o principal fator de risco para AVC. Muitas pessoas não sabem que têm, porque ela raramente causa sintomas.
  • Colesterol: o LDL elevado contribui diretamente para a formação das placas nas artérias.
  • Glicemia: o diabetes acelera o dano aos vasos sanguíneos e aumenta de forma importante o risco cardiovascular.
  • Tabagismo: fumar lesa o endotélio (a camada interna dos vasos) e favorece a formação de coágulos. Parar traz benefício em qualquer idade.
  • Peso e circunferência abdominal: a gordura concentrada na barriga está associada a mais inflamação e alterações metabólicas.
  • Sedentarismo: a recomendação geral é de pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana.
  • Sono e estresse: dormir mal de forma crônica e viver sob estresse prolongado também se associam a maior risco.

O que muda no risco da mulher

Durante muito tempo, infarto foi visto como problema masculino. Hoje se sabe que a doença cardiovascular é uma das principais causas de morte entre mulheres. Alguns pontos merecem atenção especial:

  • Menopausa: com a queda do estrogênio, o perfil de colesterol e a pressão tendem a piorar. O risco cardiovascular aumenta nessa fase.
  • Histórico gestacional: pré-eclâmpsia, hipertensão na gravidez e diabetes gestacional estão associados a maior risco cardiovascular anos depois. Vale informar isso ao médico mesmo muito tempo após o parto.
  • Anticoncepcional hormonal e cigarro: a combinação aumenta o risco de trombose e AVC, especialmente após os 35 anos.
  • Enxaqueca com aura: está associada a maior risco de AVC, sobretudo quando somada ao tabagismo ou ao uso de estrogênio.
  • Doenças autoimunes: condições como lúpus e artrite reumatoide, mais comuns em mulheres, elevam o risco cardiovascular.

Sinais de alerta: reconhecer rápido salva vidas

No infarto, a dor ou aperto no peito é o sintoma mais conhecido. Nas mulheres, porém, é mais frequente que apareçam sintomas considerados atípicos: falta de ar, cansaço intenso e sem explicação, náusea, suor frio e dor na mandíbula, nas costas ou no braço. Isso pode atrasar a procura por atendimento.

No AVC, os sinais costumam surgir de forma súbita:

  • Boca torta ou assimetria no rosto ao sorrir
  • Fraqueza ou dormência em um braço ou perna, geralmente de um lado do corpo
  • Fala enrolada ou dificuldade para entender o que é dito
  • Perda súbita da visão, tontura intensa ou dor de cabeça muito forte e diferente do habitual

Diante de qualquer um desses sinais, ligue imediatamente para o SAMU (192). No AVC e no infarto, o tempo até o tratamento faz grande diferença no resultado.

Check-up e hábitos que fazem diferença

A prevenção começa por conhecer os próprios números. Medir a pressão com regularidade, fazer exames de colesterol e glicemia na frequência indicada pelo médico e acompanhar o peso são passos simples. A partir desses dados, o profissional pode estimar o risco cardiovascular e decidir se há necessidade de medicamentos, como anti-hipertensivos ou estatinas.

No dia a dia, as evidências apoiam uma alimentação rica em vegetais, frutas, grãos integrais, leguminosas e peixes, com menos sal, ultraprocessados e açúcar. Moderação no álcool, atividade física regular e sono de qualidade completam a base. Não existe alimento ou suplemento isolado que proteja contra infarto e AVC: o efeito vem do conjunto.

Infarto e AVC compartilham as mesmas causas e, em grande parte, as mesmas formas de prevenção: controlar pressão, colesterol, glicemia, não fumar e manter-se ativa. Para as mulheres, menopausa, histórico da gravidez e uso de hormônios devem entrar na conversa com o médico. E, diante de sintomas súbitos, a regra é não esperar: ligue 192.